Terça-feira

Classificados Através da História - Luis Fernando Veríssimo





SÍTIO – Vendo. Barbada. Ótima localização. Água à vontade. Árvores frutíferas. Caça abundante. Um paraíso. Antigos ocupantes despejados por questões morais. Ideal para casal de mais idade. Negócio de pai para filhos. Tratar com Deus.

CRUZEIRO – Procuram-se casais para um cruzeiro de quarenta dias e quarenta noites. Ótima oportunidade para fazer novas amizades, compartilhar alegre vida de bordo e preservar a espécie. Trazer guarda-chuva. Tratar com Noé.

ELEFANTES – Vendo. Para circo ou zoológico. Usados, mas em bom estado. Já domados e com baixa do exército. Tratar com Aníbal.

CAVALO – Troco por um reino. Tratar com Ricardo III.

CISNE – Troco por qualquer outro animal de porte, mais moço. Deve ser macho. Tratar com Leda.

LEÃO - Oferece-se para shows, aniversários, quermesses, etc. Fotogênico, boa voz, experiência em cinema. Tem referências da MGM, para a qual trabalhou até aposentadoria compulsória.

ÓRGÃO – Compro qualquer um. À vista. Também a audição, o sistema linfático, etc. Tratar com Dr. Frankenstein, no Castelo.

CABEÇAS – Compro para coleção. Tenho as de João Batista, Maria Antonieta e de todo o bando de Lampião.

COZINHEIRA – Procuro. Para família de fino trato. Deve ter experiências em banquetes e uma boa mão para venenos. Se falhar, pode dormir no emprego, para sempre. Tratar com Lucrécia Borgia.

TORRO TUDO
– E toco cítara. Tratar com Nero.

BARBADA – Vendo ótima residência por preço de ocasião. Motivo força maior. 117 qtos., 80 banhs., amplos salões, lustres, tapetes, deps. compls. p/ 200 emprg., 50 vagas na estrebaria. Centro de terreno ajardinado. Tratar com Luíz XVI, em Versalhes, antes que seja tarde.

TELEFONE – Pouco usado. Prefixo 1. Tratar com A G Bell.

CASAMENTO – Homem só, boa aparência, situação estável. Procura moça para ser companheira para o resto da vida dela. Procurar Barba Azul.

CORRESPONDÊNCIA - quero me corresponder com qualquer pessoa em qualquer lugar. Escrever para Robinson Crusoé com urgência.

CHICOTE – Correntes, arreios, chapa quente, Cadeirinha de Afrodite, Cabrito Mecânico, grande seleção de alicates, uma prensa, ferros para marcação. Vendo tudo com manual de instrução. Motivo prisão. Tratar com Marquês de Sade.

ASSISTENTE DE PINTOR – Deve ter prática em pintar de costas. Preciso de assistência porque estou momentaneamente impossibilitado de trabalhar. Caiu pingo no meu olho. Procurar Michelangelo, na Capela Sistina.

ENGENHEIRO – Precisa-se, urgente, para substituir elemento demitido motivo embriaguez. Tratar prefeitura de Pisa, Itália.

TRIPULANTES – Preciso para excursão marítima. Jogo tudo nesta empreitada. Tentaremos provar que se pode chegar à Índia viajando para o Oeste. Se conseguirmos, seremos famosos. Se não, a história nos esquecerá. Tratar com Cristóvão Colombo.

Veríssimo, Luis Fernando. A Mulher do Silva, POA: LP&M, 1985.




Domingo

A Moça Tecelã - Marina Colasanti



Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.


Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor de luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.

Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.

Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos de algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.

Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza. Assim, jogando a lançadeira de um lado para o outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.


Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.


Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou como seria bom ter um marido ao seu lado.

Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponta dos sapatos, quando bateram à porta.

Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando na sua vida.

Aquela noite, deitada contra o ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade. E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque, descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.

- Uma casa melhor é necessária, -disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer.

Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente. – Para que ter casa, se podemos ter palácio? – perguntou. Sem querer resposta, imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata.


Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.

Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.

- É para que ninguém saiba do tapete, -- disse. E antes de trancar a porta à chave, advertiu:
- Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!

Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou como seria bom estar sozinha de novo.

Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.

Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e, jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer o seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.

A noite acabava quando o marido, estranhando a cama dura, acordou e, espantado, olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.

Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.

Marina Colassanti.






Quem é Marina Colasanti...

Marina Colasanti (Asmara, 26 de setembro de 1937) é uma escritora e jornalista ítalo-brasileira nascida na então colônia italiana da Eritréia. Ainda criança sua família voltou para a Itália de onde emigram para o Brasil com a eclosão da Segunda Guerra Mundial.

No Brasil estudou Belas-Artes e trabalhou como jornalista, tendo ainda traduzido importantes textos da literatura italiana. Como escritora, publicou 33 livros, entre contos, poesia, prosa, literatura infantil,e infanto-juvenil.

Uma idéia toda azul é um livro seu de contos que ganhou o prêmio O Melhor para o Jovem, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.


Obras Marina Colasanti

Minha Ilha Maravilha (2007) - Ed. Ática
Acontece na cidade (2005) - Ed. Ática
Fino sangue (2005)
O homem que não parava de crescer (2005)
23 histórias de um viajante (2005)
Uma estrada junto ao rio (2005)
A morada do ser (1978, 2004)
Fragatas para terras distantes (2004)
A moça tecelã (2004)
Aventuras de pinóquio – histórias de uma marionete (2002)
A casa das palavras (2002) - Ed. Ática
Penélope manda lembranças (2001) - Ed. Ática
A amizade abana o rabo (2001)
Esse amor de todos nós (2000)
Ana Z., aonde vai você? (1999) - Ed. Ática
Gargantas abertas (1998)
O leopardo é um animal delicado (1998)
Histórias de amor (série “Para gostar de ler” vol. 22) (1997) - Ed. Ática
Longe como o meu querer (1997) - Ed. Ática
Eu sei mas não devia (1995)
Um amor sem palavras (1995)
Rota de colisão (1993)
De mulheres, sobre tudo (1993)
Entre a espada e a rosa (1992)
Cada bicho seu capricho (1992)
Intimidade pública (1990)
A mão na massa (1990)
Será que tem asas? (1989)
Ofélia, a ovelha (1989)
O menino que achou uma estrela (1988)
Aqui entre nós (1988)
Um amigo para sempre (1988)
Contos de amor rasgado (1986)
O verde brilha no poço (1986)
E por falar em amor (1985)
Lobo e o carneiro no sonho da menina (1985)
A menina arco iris (1984)
Doze reis e a moça no labirinto do vento (1978)
Uma idéia toda azul (1978)










Acordo Ortográfico com Humor...



Literatura Infanto-Juvenil: As Viagens de Gulliver - Jonathan Swift


“As viagens de Gulliver” é uma obra de ficção que brinca com o imaginário do leitor infanto-juvenil, conduzindo esses jovens a uma fantástica viagem aos mundos do Dr. Gulliver. As criaturas minúsculas de Lilipute; os gigantes de Brobdingnag; os sábios obcecados por astronomia, música e matemática da ilha flutuante de Laputa; os primitivos Yahoos, seres semelhantes ao homem de Neandertal; os inacreditáveis Houyhnhnms, cavalos racionais e em tudo superiores ao gênero humano - viajar com Gulliver é conhecer alguns personagens fantásticos que marcaram seus nomes no imaginário infantil e infanto-juvenil por várias gerações.

Mas não é só isso. Jonathan Swift (1667-1745) projeta, em sua obra, realidades de sua época e ao mesmo tempo em que conduz o leitor nesta “viagem”, apresenta com muito humor, desafiando a inteligênca e percepção do juvenil leitor, algumas críticas às desigualdades sociais. Ridiculariza o preconceito e a sociedade que diferencia as pessoas e às discrimina por motivos estúpidos, como por exemplo, os cidadãos de Lilipute que se diferem pelo uso ou não de sapatos de salto alto.

Não só por se tratar de um livro de aventura "As Viagens de Gulliver" cai nas graças do público infanto-juvenil, mas também por ter essa mistura de ficção com realidade. A medida em que apresenta outros mundos, o autor faz uma reflexão acerca do mundo em que vive, ou seja, o mundo ao qual o leitor faz parte. Todo o homem, ao menos em quanto jovem, já “viajou” nesta temática: ‘como seria um mundo diferente do que vivo’. Todo o jovem já se viu em meio a situações em que gostaria de viver em um mundo ficcional, seja a terra ideal, sem desigualdades, ou um mundo feito de doces; um mundo sem pais ou um lugar onde as crianças não crescem. Logo podemos deduzir que a obra de Swift brinca justamente com esse devaneio próprio do adolescente: “Como seria um mundo em que..”

Em uma de suas visitas a mundos diferentes o autor fala sobre a condição humana e Jonathan Swift não poderia ter sido mais claro em relação a sua opinião sobre os humanos. Sua descrição da superioridade moral e intelectual dos equinos é de uma comicidade irresistível, tanto para adultos quanto para os leitores de menor idade. Com ela, a prosa swiftiana adquire profundidades de estudo sobre as ilusões e desilusões que costumam caracterizar o universo da política.

Com humor, ironia e fantasia, Swift inventou outros mundos para enquadrar em uma perspectiva crítica o mundo que conhecia. O resultado foi uma realização literária única e atemporal. Supor que seu horizonte se limite ao das narrativas de caráter infanto-juvenil equivale a crer na fantasia de que os homens possam, um dia vir a ser dominados por cavalos.



CURIOSIDADES:


1. Yahoo! – Representado por: Yet Another Hierarchical Officious Oracle("Um Outro Oráculo Oficioso Hierárquico"). A palavra “Yahoo”, que você certamente conhece, foi originalmente usada no livro "Viagens de Gulliver" e descreve alguém "repulsivo na aparência e raramente humano”. Os fundadores do Yahoo brincam que eles são Yahoos. (Fonte: http://googlediscovery.com/2007/04/07/origem-dos-nomes-das-empresas-de-tecnologia/)


2. Os habitantes da ilha de Lilliput, que eram extremamente pequenos, estavam constantemente em guerra por futilidades. Foi através dos lilliputianos que Swift demonstrou a realidade inglesa e francesa da época. Ou seja, homens pequenos em duplo sentido.

Fonte: Trabalho "As Viagens de Gulliver" por Angela Mendez.

Quarta-feira

O Mito de Sísifo: Uma Metáfora da Vida Moderna




O mito de Sísifo é um ensaio filosófico escrito por Albert Camus, em 1942. É composto por cerca de 120 páginas.

No ensaio, Camus introduz sua filosofia do absurdo: o do homem fútil em busca de sentido, unidade e clareza no rosto de um mundo ininteligível desprovido de Deus e eternidade. Será que a realização do absurdo exige o
suicídio? Camus responde: "Não. Exige revolta". Ele então descreve várias abordagens do absurdo na vida. O último capítulo compara o absurdo da vida do homem com a situação de Sísifo, uma personagem da mitologia grega, condenado a repetir sempre a mesma tarefa de empurrar uma pedra de uma montanha até o topo, só para vê-la rolar para baixo novamente.

Capítulo 1: Um absurdo raciocínio
Camus compromete-se a responder o que ele considera ser a única causa da
filosofia em questão: Será que a realização da plenitude e absurdo da vida exigem suicídio?
Ele começa por descrever a condição absurda: grande parte da nossa vida é construída sobre a esperança do amanhã, do amanhã que nos aproxima da morte, e é o último inimigo; pessoas vivem como se elas não tivessem a certeza da morte; uma vez despojado do romancismo comum, o mundo é um estranho e desumano lugar; o verdadeiro conhecimento é impossível de ser explicado pela racionalidade da ciência em favor do mundo: suas histórias, em última análise, no sentido de abstrações, se dão em metáforas. "Desde que o momento absurdo é reconhecido, ele se torna a mais angustiante de todas as paixões."

Não é o mundo que é absurdo, nem o pensamento humano: o absurdo surge quando os humanos precisam entender a satisfação para irracionalidade do mundo, quando "o meu apetite para o absoluto e da unidade" complementa "a impossibilidade de reduzir o mundo a um princípio racional e razoável".

Ele então caracteriza um certo número de filósofos que descrevem a tentativa de lidar com esse sentimento do absurdo, como
Heidegger, Jaspers, Shestov, Kierkegaard e Husserl. Todos estes, ele alega, cometem "suicídio filosófico", atingindo conclusões que contradizem a posição original do absurdo, quer por motivo do abandono ou da transformação de Deus, como no caso de Kierkegaard e Shestov, ou por motivos divinais, e finalmente chegando a onipresença e uma exclusividade divinal, como no caso de Husserl.

Para Camus, que começou a levar a sério o absurdo e segui-lo à suas conclusões finais, estes "ímpetos", não podem convencer. Tomar o absurdo sério, significa reconhecer a contradição entre o desejo da razão humana e do mundo insensato. Suicídio, então, também deve ser rejeitado: sem o homem, o absurdo não pode existir. A contradição deve ser vivida; a razão e seus limites devem ser reconhecidos, sem esperança. No entanto, o absurdo nunca pode ser aceito: ele exige constante confronto, constante revolta.

Embora a questão da liberdade humana no sentido metafísico perca interesse para o homem absurdo, ele ganha liberdade num sentido muito concreto: já não é vinculado pela esperança de um futuro melhor ou eternidade, sem a necessidade de prosseguir o objetivo da vida ou para criar significado, "Ele goza de uma liberdade no que se refere às regras comuns".
Abraçar o absurdo implica abraçar tudo de insensato que o mundo tem a oferecer. Sem um sentido na vida, não existe uma escala de valores. "O que conta não é a melhor vida, mas a maioria dos que a vivem."

Assim, Camus chega a três consequências da plena aceitação do absurdo: revolta, a liberdade, e paixão. A revolta, no que tange à constatação de que a vida é absurda, sem sentido; a liberdade, haja vista a nossa condição humana (estamos sós e escolhemos) e; a paixão, já que não se vive a vida de outro modo.

Capítulo 2: O absurdo do Homem
Como deve viver o homem absurdo ? Claramente, não se aplicam regras éticas, como todas elas são baseadas em poderes sobre justificação. "Integridade não tem necessidade de regras." "Tudo é permitido" não é uma explosão de alívio ou de alegria, mas sim, um amargo reconhecimento de um fato. "

Camus, em seguida, passa a apresentar exemplos da vida absurda. Ele começa com o
Don Juan, o sedutor que vive a vida apaixonado ao máximo. "Não há um nobre amor, mas o que reconhece - tanto os efemêros quanto os duradouros".

O próximo exemplo é o
ator, que retrata a vida efêmera da fama efémera. "Ele demonstra em que medida o ser interpretado cria". "Nestas três horas ele percorre todo o decorrer do beco sem saída, o que homem da platéia leva uma vida para cobrir".

O terceiro exemplo do absurdo é o homem conquistador, o guerreiro que com todas as promessas de eternidade, afeta o envolver pleno da história humana. Ele escolhe a ação sobre a contemplação, consciente do fato de que nada pode durar e não é vitória final.

Capítulo 3: Criação do absurdo
Aqui Camus explora o absurdo criador ou do artista. Desde a explicação é impossível, o absurdo da arte é restrita a uma descrição das inúmeras experiências no mundo. "Se o mundo fosse claro, a arte não existiria." A absurda criação, naturalmente, tem também de abster-se de julgar e de aludir ao mesmo tempo a menor sombra de esperança.

Ele então analisa o trabalho de
Dostoevsky nesta perspectiva, especialmente O Diário de um Escritor , O idiota e Os Irmãos Karamazov . Todas essas obras começam a partir da posição absurda, e os dois primeiros, a explorar o tema do suicídio filosófico. Mas tanto em O Diário de um Escritor, seu último romance, como em Os Irmãos Karamazov, encontram-se um caminho de esperança e fé e, portanto, não como criações verdadeiramente absurdas.


Capítulo 4: O mito de Sísifo
No último capítulo, Camus esboça o mito de Sísifo, que desafiou os deuses; quando capturado sofreu uma punição: para toda eternidade, ele teria de empurrar uma pedra de uma montanha até o topo; a pedra então rolaria para baixo e ele novamente teria que começar tudo. Camus vê em Sísifo o ser que vive a vida ao máximo, odeia a morte e é condenado a uma tarefa sem sentido, como o herói absurdo. Não obstante, reconhecendo a falta de sentido, Sísifo continua executando sua tarefa diária.

Camus apresenta o mito para trabalhar uma metáfora sobre a vida moderna, como trabalhadores em empregos fúteis em fábricas e escritórios. "O operário de hoje trabalha todos os dias em sua vida, faz as mesmas tarefas. Esse destino não é menos absurdo, mas é trágico quando em apenas nos raros momentos ele se torna consciente".


Fonte: Wikpedia