Terça-feira

Movimento MPB - Música Para Baixar - Fórum Social Mundial 2010


Fonte:
 Blog Movimento Música para Baixar – musicaparabaixar.org.br
 Site O Teatro Mágico - oteatromagico.mus.br





Que cultura queremos?

Entendemos a cultura não apenas como a forma de expressão das relações e sentimentos humanos, mas também como um poderoso instrumento político. O controle de sua produção e do acesso a ela é elemento essencial para manter a dominação dos povos e a concentração de poder. A cultura restrita e limitada pela lógica mercantil entope de resignação as veias pelas quais corre a criatividade humana e bloqueia as possibilidades de produção diversa e abrangente que o desenvolvimento cultural livre exige. A cultura genuinamente livre depende de autonomia, acesso universal e livre manifestação. Não pode ser determinada por direcionamentos e restrições mercantis, e deve garantir a sobrevivência justa e solidária do autor.

Mas, justamente por suas características políticas e sociais, não basta que apenas o produto cultural tenha essas características. É necessário que todo o processo de criação e difusão seja livre, garantindo aos sujeitos sociais condições suficientes para criarem e acessarem todos os bens culturais. A cultura livre é, portanto, um passo na construção de uma sociedade livre.

Assim, não podemos confundir. Reivindicamos uma cultura que não seja apenas gratuita, mas sim genuinamente livre. Livre das amarras do mercado, das imposições do Estado, das limitações econômicas e dos interesses corporativos. Não queremos uma produção cultural que sirva aos ‘novos modelos de negócios’, nos quais as liberdades de acesso aos bens são mantidas mas o circuito de produção mercantil se recompõe. A cultura livre deve, por um lado, garantir a diversidade sem se submeter à lógica da indústria cultural e, por outro, garantir o acesso livre, gratuito e não mercantil aos bens culturais.

Ao mesmo tempo, é essencial pensar a sustentabilidade e a construção dos criador@s livres dessa cultura, mesmo dentro dos limites do atual sistema econômico. Precisamos, para começar, combater o jabá e pensar um mercado baseado nos verdadeiros princípios da economia solidária, buscando a autogestão e a diversificação do acesso da massa às culturas de qualidade.

Devemos questionar os modelos de publicidade e das concessões dos meios de comunicação, que acabam produzindo falsos desejos e uma cultura artificial, beneficiando apenas os artistas que se submetem à lógica da indústria. Sem sujeitos que buscam a emancipação não há pensamento crítico suficiente para romper com as imposições da indústria cultural.

Por isso, precisamos fortalecer um movimento de cultura livre que seja contra esse atual modelo, que seja autônomo, genuíno e intimamente ligado às questões políticas e às relações sociais e humanas. Queremos uma cultura livre que seja, também, conhecimento livre. Ela deve incorporar a luta pela livre determinação dos povos originários, de suas culturas e costumes. Deve brigar pelo fim das patentes, pelo acesso universal à saúde e à educação. Pela produção saudável e racional de sementes, plantas e alimentos. A cultura livre é um bem comum e deve fazer parte do processo de construção do bem viver, que tem como princípio fundamental o zelo a todo o tipo de vida.

A hora é agora

Vivemos um momento de definição do que é o acesso e a produção da cultura. As novas tecnologias, por terem a capacidade de ampliar as possibilidades de democratização da comunicação, da cultura e do conhecimento, passam por um processo de institucionalização e cercamento legal que, ao contrário, podem servir como mecanismos de vigilância e controle. As leis internacionais e nacionais que regulamentam o tráfego de informações são cada vez mais rígidas e engessam, por sua vez, as possibilidades criativas dos seres humanos, com objetivos claros de controlar as mentes das massas. Assim, é urgente nossa manifestação.

Sob essa perspectiva, convocamos organizações, coletivos e indivíduos para discutir o projeto da cultura livre que queremos no Diálogo Interplanetário de Cultura Livre, que acontecerá durante o Fórum Social Grande Porto Alegre 10 anos, na cidade de Canoas, entre os dias 25 e 29 de janeiro de 2010.

Queremos dar início à construção internacional de um espaço autônomo para a discussão de uma cultura contestátoria, que abarque aqueles em busca da emancipação e da liberdade na produção cultural e que tenha vistas a um Fórum Internacional de Cultura Livre, no segundo semestre de 2010.

O Diálogo Interplanetário de Cultura Livre já conta com articulações em países como Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Brasil e está aberto a tod@s que quiserem contribuir. Será um espaço autogestionado de debates e produção cultural, com feiras de livros, shows de música independente, debates sobre a propriedade intelectual, produção cultural, transmissões de rádios e Tvs comunitárias, oficinas de software livre e muito mais – ou o que aparecer.

Contamos com sua participação e divulgação!



Para maiores informações entre em contato com

Mariana Tamari
marianalie@yahoo.com
55 11 84565866

Everton Rodrigues
everton@softwarelivre.org
 55 11 86996668


Na Argentina:

Marilina Winik
marilinaw@yahoo.com

Sebastian
culturalibre@fmlatribu.com



Domingo

OS PECADOS DO HAITI - Eduardo Galeano











Publicado em 15 de Janeiro de 2010 por Eduardo Galeano
(tradução livre de Antonio Folquito Verona)


A democracia haitiana nasceu há muito pouco. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e enferma não recebeu nada, além de bofetadas. Estava ainda recém nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou. Depois de terem colocado e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos pegaram e impuseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que havia tido a louca aspiração de querer um país menos injusto.


O voto e o veto

Para apagar as nódoas da participação norte-americana na ditadura carniceira do general Cedras, os infantes de marinha levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para retomar o governo, mas o proibiram exercer o poder. Seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, porém mais poder que Préval tem qualquer burocrata de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha sequer eleito com um voto apenas.

Mais que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum de seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, instrução aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebe resposta, ou o contradizem ordenando-lhe: - Faça a lição! E como o governo haitiano nunca aprende que deve desmantelar os poucos serviços públicos que ainda permanecem, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores acabam sempre por reprová-lo.


O álibi demográfico

No final do ano passado quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Assim que chegaram, a miséria do povo os atingiu frontalmente. Então o embaixador de Alemanha lhes explicou, em Porto Príncipe, qual é o problema: - Este é um país demasiadamente povoado - disse-. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode.

E riu. Os deputados se calaram. Essa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou as cifras. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, tanto quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilômetro quadrado. Em sua passagem pelo Haiti, o deputado Wolf não apenas foi atingido pela miséria: também ficou deslumbrado pela capacidade de expressar a beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado… de artistas.

Na realidade, o álibi demográfico é mais ou menos recente. Até a alguns anos, as potências ocidentais falaram bem mais claro.


A tradição racista

Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando alcançaram seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e revogar o artigo constitucional que proibia a venda de terras aos estrangeiros. Robert Lansing, então secretário de Estado, justificou a prolongada e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de se governar por si mesma, que possui “uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização”. Um dos responsáveis pela invasão, William Philips, havia elaborado anteriormente a sagaz idéia: “Esse é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que tinham deixado os franceses”.

O Haiti havia sido a pérola da coroa, a colônia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com força de trabalho escrava. No espírito das leis, Montesquieu o havia explicado sem travas na língua: “O açúcar seria demasiado caro se não trabalhassem os escravos para sua produção. Esses escravos são negros desde os pés até a cabeça e têm o nariz tão esmagado que é quase impossível ter deles alguma pena. Resulta impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma e sobretudo uma alma boa num corpo inteiramente negro”.

Em troca, Deus havia colocado um chicote na mão do feitor. Os escravos não se distinguiam por sua vontade de trabalho. Os negros eram escravos por natureza e vadios também por natureza; e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir ao amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrasse o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino. Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: “Vagabundo, desocupado, negligente, indolente e de costumes dissolutos”. Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro “pode desenvolver certas habilidades humanas, como o papagaio que fala algumas palavras”.

A humilhação imperdoável

Em 1803, os negros do Haiti ocasionaram uma tremenda derrota às tropas de Napoleão Bonaparte e Europa não perdoou jamais essa humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos haviam conquistado antes sua própria independência, porém conservava ainda meio milhão de escravos trabalhando nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era senhor de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.

A bandeira dos livres se içou sobre as ruínas. A terra haitiana havia sido devastada pele monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França. Uma terça parte da população havia caído em combate. Então, começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém comprava dela, ninguém lhe vendia, ninguém a reconhecia.

O delito da dignidade

Nem mesmo Simon Bolívar, que soube ser tão valente, teve a coragem de assinar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar poderia ter reiniciado sua luta pela independência americana, quando já havia derrotado a Espanha, graças ao apoio do Haiti. O governo haitiano lhe havia entregado sete navios, muitas armas e soldados, com a única condição que Bolívar libertasse os escravos, uma idéia que ao Libertador não lhe passava pela cabeça. Bolívar cumpriu com esse compromisso, porém depois de sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvado. E quando convocou as nações americanas para a reunião do Panamá, não convidou o Haiti, mas sim a Inglaterra.

Os Estados Unidos reconheceram o Haiti depois de sessenta anos do final da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um gênio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque possuem pouca distância entre o umbigo e o pênis. Naquele instante, o Haiti já estava nas mãos de carniceiras ditaduras militares, que destinavam os famélicos recursos do país para pagar a dívida com ex-metrópole: a Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indenização gigantesca, como modo de ver-se perdoado por ter cometido o delito da dignidade.

A história do assédio contra o Haiti, que em nossos dias tem dimensões de tragédia, é também una história do racismo na civilização ocidental.



Arquivo Cultura de Travesseiro
Os Pecados do Haiti - Eduardo Galeano
Espelhos - Eduardo Galeano
Eduardo Galeano, outras
Charles Darwin - 200 Anos
História da Cerveja
Mulheres Poetas... Laura, Adélia, Cecília, Cora e ...
A Importância da Literatura



Segunda-feira

LABORATÓRIO DE AUTORES

EDITORA LANÇA LABORATÓRIO DE AUTORES NA BUSCA DE NOVOS TALENTOS LITERÁRIOS

Para descobrir e colaborar no desenvolvimento de novos talentos literários, a editora gaúcha 8INVERSO oferecerá, a partir de março de 2010, um Laboratório de Autores aberto a escritores de todos os países lusófonos e de todas as idades. Os participantes com melhor desempenho no decorrer das atividades propostas poderão ser convidados para assinar contrato de publicação com a editora.

O Laboratório de Autores, que será inteiramente gratuito, funcionará nos moldes de um curso à distância, com a troca de textos teóricos e tarefas específicas de criação literária realizada inteiramente pela internet. A ideia é fornecer estímulos à produção e observar o desempenho dos participantes com vistas a futuros projetos editoriais da 8INVERSO. O objetivo específico do Laboratório de Autores é que, ao final do processo, os participantes produzam uma novela literária. As próximas edições do Laboratório de Autores deverão contemplar outros gêneros literários, dentre elas a roteirização de histórias em quadrinhos.

A Editora 8INVERSO é uma nova editora gaúcha, fundada em agosto de 2009 pelo filósofo e escritor Cássio Pantaleoni. Os dois primeiros títulos da 8INVERSO marcaram seu caráter de inovação no mercado editorial e lançaram o nome da editora nacionalmente: seu primeiro lançamento foi a coletânea, inédita em português, de correspondências do escritor russo Fiódor Dostoievski; o segundo título foi a tradução para o português da premiada “Johnny Cash – uma biografia”, graphic novel assinada pelo quadrinhista alemão Reinhard Kleist, o qual esteve em Porto Alegre, em outubro de 2009, para o lançamento.

O Laboratório de Autores será coordenado pelo gestor cultural da Editora 8INVERSO, Robertson Frizero, mestre em Teoria da Literatura pela PUCRS, escritor, revisor e tradutor. Maiores informações poderão ser obtidas no site da editora (http://www.8inverso.com.br/frmHome.aspx) ou diretamente com o coordenador do curso: frizero@8inverso.com.br


Arquivo Cultura de Travesseiro
Para Ler Como um Escritor: Livros Para Ler Imediatamente.
Como Iniciar um Livro: Inícios Fabulosos
Livros para o Natal
Scott Fitzgerald no Cinema 2009
História de Mulheres
Escritores da Língua Portuguesa - Unificação
Romances Históricos - Livros Interessantes...
Biblioteca Particular - Como Organizar Seus Livros...
Concursos Literários 2009
Novas Fábulas com Novas Morais
Alice no País de Lewis Carrol
Fábulas: Esopo, Fedro e La Fontaine
Literatura Infanto-Juvenil: As Viagens de Gulliver - Jonathan Swift
O Mito de Sísifo: Uma Metáfora da Vida Moderna
Tendências do Jornalismo - Francisco Rüdiger
Dia Mundial do Livro: Uma Homenagem a J. G. Ballard
Malba Tahan - O Árabe Brasileiro


Sexta-feira

O Que Seria De Um País Sem Professores?














"Talvez seja esta a maior contribuição social desta instituição: a de preparar professores para tentar solucionar problemas básicos da educação, como os de leitura e de escrita, reiteradamente demonstrados em exames e provas oficiais. Senhores e senhoras, ter que lutar a cada final de semestre para preservar a continuidade de cursos que não têm outro objetivo que não o de preparar profissionais competentes para atuar em educação é um sintoma muito preocupante. Por isso repito aqui a frase de uma campanha promovida por nossos cursos: O que seria de um país sem professores?" ( Neiva Tebaldi )

Caros amigos e leitores do Cultura de Travesseiro,

Acredito que já comentei que sou estudante de Letras no Centro Universitário Ritter dos Reis, em Porto Alegre. No ano passado, 2009, fomos informados, eu e meus colegas, que a instituição deliberou extinguir o curso de Letras pela falta de alunos e pela irrisória procura ao curso de licenciatura.

Talvez, ou realmente, sejamos poucos, os estudantes e amantes de letras e literatura, mas somos imensuráveis, se considerada a vitalidade da nossa profissão na formação e no aprimoramento desta carente sociedade brasileira. O fato de sermos um pequeno grupo não nos desmotiva ou desqualifica, pois sabemos que, embora raros e pouco lucrativos, somos discentes de inigualável qualidade, preparados por profissionais altamente qualificados e de contagiante convicção sobre a grandeza de nossa missão.
Este pequeno e simplório texto nada mais é do que uma manifestação de apoio e de solidariedade a minha querida professora de português Neiva Tebaldi que, em seu discurso proferido em uma cerimônia de formatura, manifestou, a respeito de tal resolução,  não só seus sentimentos , mas o de todos nós - DISCENTES DO CURSO DE LETRAS DO CENTRO UNIVERSITÁRIO RITTER DOS REIS.



Verdades da Profissão de Professor

Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho.
A data é um convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não apenas “galinhas”. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda.
Paulo Freire




Boa noite a todos e a todas.
Inicialmente gostaria de cumprimentar
o Magnífico Sr. Reitor - Dr. Flávio de Almeida Reis,
a Professora Anelise Burmeister, colega de coordenação do curso de Letras,
a Prof. Ana Rangel, coordenadora do curso de Pedagogia,
a Prof. Denise La Salvia, paraninfa do curso de Pedagogia,
a Prof. Carla Borges, homenageada de Letras, demais prof. homenageados e participantes da mesa,
Também gostaria de cumprimentar os professores presentes na plateia, alunos, ex-alunos, familiares e amigos dos formandos,ijuie, finalmente, cumprimentar as formandas de ambos os cursos e, especialmente, as formandas de Letras de quem recebi a distinção de ser paraninfa.

Bem, em primeiro lugar, gostaria de dizer que estar no papel de paraninfo ou paraninfa é sempre uma grande responsabilidade, porque, de alguma forma, é estar representando todos os professores que, ao longo de 4 anos, contribuíram para que um grupo, embora desta vez muito reduzido, vencesse mais uma etapa de sua formação profissional. Por isso, peço licença às minhas queridas afilhadas para estender esta distinção ao meus colegas professores. Faço-o porque tenho certeza que vocês concordam com isso.

Em segundo lugar, gostaria de destacar a integração das formandas de dois cursos distintos em uma única cerimônia. Esta unidade que vocês demonstraram desde o início do processo, acreditem, foi a primeira grande lição que vocês deram como profissionais da educação.

E para uma breve reflexão sobre o profissional de educação, busquei, como o fiz em outros momentos, em Paulo Freire, uma definição da nossa tarefa que, segundo ele, é uma tarefa que requer de quem com ela se compromete um gosto especial de querer bem não só aos outros mas ao próprio processo que ela implica.

Para Freire, É impossível ensinar sem essa coragem de querer bem, sem a valentia dos que insistem mil vezes antes de uma desistência. É impossível ensinar sem a capacidade forjada, inventada, bem cuidada de amar. [...]

Segundo o educador que nos serve de inspiração, é preciso ousar, no sentido pleno desta palavra, para falar em amor sem temer ser chamado de piegas, de meloso, de acientífico, senão de anticientífico. Mas é preciso ousar para dizer, cientificamente [...] que estudamos, aprendemos, ensinamos, conhecemos com o nosso corpo inteiro. Com os ensinamentos, com as emoções, com os desejos, com os medos, com as dúvidas, com a paixão e também com a razão crítica. Jamais com esta apenas. É preciso ousar para jamais dicotomizar o cognitivo e o emocional.

É preciso ousar para ficar ou permanecer ensinando por longo tempo nas condições que conhecemos,[...]. É preciso ousar para continuar quando às vezes se pode deixar de fazê-lo, com vantagens materiais.

Essas foram palavras de Freire, e a elas acrescentaria que é preciso ousadia para seguir ensinando que é necessário agir com justiça e honestidade, quando valores éticos e morais parecem ter perdido o significado.

No entanto, talvez esteja justamente aí uma de nossas tarefas básicas: preparar para condutas morais e éticas. Tarefa essencial da família, porém nem sempre assumida por fatores que todos nós conhecemos bem.

É preciso ousadia para escolher, entre tantas outras opções, um curso de licenciatura, quando nos deparamos com escolas em condições precárias, com o desestímulo salarial, com relatos frequentes de desrespeito e de violência contra professores.

No entanto, é auspicioso ouvir dos alunos, ao final de um curso, após terem passado pelos estágios, portanto pelo confronto direto com a realidade: "agora tenho certeza quero ser professor ou professora. Há tanto que fazer e eu quero dar a minha modesta contribuição".

Quando ouço manifestações dessa natureza, as atribuo à vocação do Uniritter para a educação. Como professora desta Instituição desde 1996, sei o esforço institucional que vem sendo feito para tentar preservar os cursos de Educação. E neste momento gostaria de dizer, acredito que representando o pensamento de todo o corpo docente dos dois cursos, obrigado, Dr. Flávio, por nos permitir continuar lutando pela preservação das licenciaturas. Talvez seja esta a maior contribuição social desta instituição: a de preparar professores para tentar solucionar problemas básicos da educação, como os de leitura e de escrita, reiteradamente demonstrados em exames e provas oficiais.

Senhores e senhoras, ter que lutar a cada final de semestre para preservar a continuidade de cursos que não têm outro objetivo que não o de preparar profissionais competentes para atuar em educação é um sintoma muito preocupante. Por isso repito aqui a frase de uma campanha promovida por nossos cursos: O que seria de um país sem professores? E gostaria de convidá-los a uma reflexão:

quem prepararia candidatos aos cursos de Direito, Medicina, Design, Arquitetura, Informática, Engenharia e tantos outros? Vamos deixar que nossos professores da Educação Básica sejam preparados apenas pelos propalados cursos a distância, propostos por instituições, a maior parte delas desconhecidas e com objetivos mais comerciais?

Tendo dedicado muitos anos aos estudos da linguagem, sinceramente não consigo acreditar em uma formação eficiente de professores sem a troca face a face, sem a construção do conhecimento que decorre da reflexão produzida na interação presencial. Mas a propagação dos cursos a distancia, geralmente mais econômicos, é apenas um dos fatores que nos atrapalham.

Bem sabemos todos nós que o desinteresse pelas licenciaturas decorre de fatores sócio-econômicos estruturais. Quando o jovem começa a pensar em opções profissionais logicamente lembra profissionais bem remunerados, profissionais cuja imagem social lhes seja positiva.

Se os senhores fossem convidados a descrever, agora, o profissional da educação como o descreveria?

Oxalá, nossa Excelentíssima governadora, nosso presidente e todos os responsáveis diretos pela educação deste país tenham momentos em que possam refletir com lucidez sobre o tema: O que seria de um país sem professores? Voltaríamos à barbárie?

Todos os que aqui estão certamente têm alguma ligação com os formandos, portanto com professores. Convido-os, pois, a unirem-se à nossa luta. Precisamos preservar os cursos que, com muita seriedade, preparam professores para a atuação social comprometida com a melhoria da educação deste país.

Se levarmos em consideração o número de formandas em Letras, poderíamos dizer são apenas três, mas eu diria, senhores, são mais três que se somam à contribuição que o Uniritter vem dando há a quase duas décadas. Portanto, a vocês três e às formandas da Pedagogia, parabéns pela ousadia de acreditar na educação.

E, agora, mais particularmente, parabéns Elisângela, que depois de ter andado por outros países e ter comprovado o quanto o ensino de uma língua, seja a materna ou uma estrangeira, pode representar para a construção da cidadania de um indivíduo, escolheste o UniRitter para completar tua formação;

parabéns Isa, que vieste lá da região de Ijui já motivada para atuar em projetos de leitura e para dar continuidade aos teus ideais conosco; e obrigada pela tua contribuição junto ao projeto Ouro e Prata;

parabéns Tatiana que, mesmo tendo balançado diante da possibilidade de outras escolhas, decidiste ficar e, ao final do curso, as tuas palavras e a tua expressão inteira revelaram o prazer de estar em sala de aula.

O curso de Letras orgulha-se de vocês. Também sentimo-nos particularmente felizes porque duas de vocês, Elisângela e Isa, já fazem parte do grupo de ingressantes no Mestrado em Letras/2010. E, quem sabe a Tatiana, que demonstrou um grande empenho no final do curso, não empreende também mais uma caminhada conosco.

Queridas afilhadas e demais formandas, sejam felizes contribuindo com a formação de valores morais e éticos de que este país tanto carece e contribuindo com os múltiplos letramentos que a sociedade atual exige de seus cidadãos.

E, mais uma vez, muito obrigada por me ter concedido o privilégio de apadrinhá-las.

E muito obrigada a todos e a todas pela paciência de ouvir o desabafo de uma professora que acredita na educação porque ama realmente o que faz.

Professora Neiva Tebaldi

Segunda-feira

Gêneros Textuais


 "[...] engloba uma análise do texto e do discurso e uma discrição da língua e visão da sociedade, e ainda tenta responder a questões de natureza sociocultural no uso da língua de maneira geral. O trato dos gêneros diz respeito ao trato da língua em seu cotidiano nas mais diversas formas. [...] podemos dizer que os gêneros são uma “forma de ação social”. (MARCUSCHI: 2008)

Antes de partirmos para uma definição do que chamamos de gênero textual (discursivo) devemos primeiramente entender a noção de gênero que, segundo estudiosos, é o mesmo que entender a própria noção de língua.

Para Mikhail Bakhtin a incalculável diversidade linguística se estratifica em diferentes formas, mais ou menos estáveis, as quais podemos chamar de gêneros, isto é, manifestações da língua tipificadas por características formais recorrentes e correlacionadas a diferentes atividades sociais. Assim também a escrita se estratifica em gêneros, uma forma convencional da linguagem, à qual atribuímos algum papel social, algum valor, alguma função.

Temos então a noção do que é gênero e de sua vitalidade para a comunicação. Nós nos comunicamos, falamos e escrevemos em gêneros, ou seja, não aprendemos a língua, mas alguns gêneros da língua. Assim que passamos a fazer uso da língua, da fala, passamos a fazer uso da estrutura da linguagem, ou seja, dos diversificados gêneros linguísticos.

Antes de ser alfabetizada, a criança já é letrada, pois faz uso da linguagem para se comunicar e a conhece em sua estruturação, mesmo sem a noção teórica dos gêneros discursivos. Sobre a nossa atividade comunicativa e, portanto, a constituição dos gêneros, Bakhtin afirma que:

Para falar, utilizamo-nos sempre dos gêneros do discurso, em outras palavras, todos os nossos enunciados dispõem de uma forma padrão e relativamente estável de estruturação de um modo. Possuímos um rico repertório dos gêneros do discurso orais (e escrito). Na prática, usamo-los com segurança e destreza, mas podemos ignorar totalmente a sua existência teórica [...]

Podemos agora definir e caracterizar o gênero textual. Na perspectiva bakhtiniana os gêneros textuais possuem uma forma de composição, um conteúdo temático e um propósito comunicativo. Em outras palavras, o gênero textual se define por determina características de estruturação textual, forma, linguagem, tamanho e conteúdo e também, ou principalmente, pela sua função ou fim específico.

Como os gêneros textuais são respaldados nas práticas sociais, na dinâmica da vida social e cultural, eles podem sofrer variações em suas unidades temáticas, forma composicional e estilo. Não são, os gêneros textuais, conforme afirma Ingedore Koch, instrumentos rígidos e estanques.
Marcuschi não só concorda com a flexibilidade dos gêneros textuais como alerta para a proliferação de gêneros novos dentro de novas tecnologias, particularmente na mídia eletrônica. A esses novos gêneros, Marcuschi denomina gêneros emergentes (MARCUSCHI, 2008:198). Embora muitos desses gêneros emergentes não sejam novos, uma vez que constituem uma modificação ou adaptação dos gêneros existentes aos novos meios (suportes) e novos tempos, com a internet, muitos novos gêneros estão surgindo sim .

Segundo David Crystal, em seu livro “A Linguagem e a Internet”, a internet transmuta de maneira bastante radical gêneros existentes e desenvolve alguns realmente novos. A internet, podemos dizer, é parte do que os teóricos denominam suporte de gêneros textuais, ao qual Marcuschi dá a sua definição:

Entendemos aqui como suporte de um gênero um lócus físico ou virtual com formato específico que serve de base ou ambiente de fixação do gênero materializado como texto. Pode-se dizer que suporte de um gênero é uma superfície física em formato específico que suporta, fixa e mostra o texto. Essa idéia comporta três aspectos: a) suporte é um lugar; b) suporte tem formato específico; c) suporte serve para fixar e mostrar o texto .

A este fenômeno digital - os gêneros emergentes, podemos associar o exemplo dos gêneros apontados como primários e secundários. Devido à extrema heterogeneidade dos gêneros do discurso, resultado da infinidade de relações sociais que se apresentam na vida humana, Bakhtin optou por dividir os gêneros em dois tipos: Gênero Primário (simples) e Gênero Secundário (complexo). A heterogeneidade lingüística é o que determina a subdivisão que se faz entre os gêneros.

Os chamados gêneros primários são aqueles que emanam das situações de comunicação verbal espontâneas, não elaboradas. Pela informalidade e espontaneidade, dizemos que nos gêneros primários temos um uso mais imediato da linguagem que transcorrem nos enunciados da vida cotidiana: na linguagem oral / conversação, diálogos com a família, reuniões de amigos, etc.

Nos gêneros secundários existe um meio para que seja configurado determinado gênero. Esse meio é normalmente a escrita. Logo, se há meio, dizemos que há relação mediata com a linguagem, se há meio, há uma instrumentalização. O gênero, então funciona como instrumento, uma forma de uso mais elaborada da linguagem para construir uma ação verbal em situações de comunicação mais complexas e relativamente mais evoluídas: artística, cultural, política. Esses gêneros mais complexos e elaborados absorvem e modificam os gêneros primários.

Os gêneros primários, ao se tornarem componentes dos gêneros secundários, transformam-se dentro destes e adquirem uma característica particular: perdem sua relação imediata com a realidade existente e com a realidade dos enunciados alheios... (BACKITIN, 1992: 281)

Para melhor compreensão do fenômeno de absorção e transmutação dos gêneros primários pelos secundários, Bakhtin traz como exemplo uma carta ou um diálogo cotidiano. Uma carta ou um fragmento de conversação do dia-a-dia, quando inseridos em um romance se desvinculam da realidade comunicativa imediata, só conservando seus significados no plano de conteúdo do romance. Ou seja, não se trata mais de atividades verbais do cotidiano, e sim de uma atividade verbal elaborada e complexa. É importante lembrarmos que a matéria dos gêneros primário e secundário é a mesma: enunciados verbais. O que os diferencia é o grau de complexidade e elaboração em que se apresentam.

Firmada a consciência de que os gêneros estão não só associados, mas inseridos, no conceito de língua e comunicação, é importante expor e definir alguns conceitos diferentes entre si, tais como: tipo textual, gênero textual e domínio discursivo.

Os tipos textuais caracterizam-se como seqüência linguística (forma de linguagem), definida pela sua composição (aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais relações lógicas, estilo). Em geral, constituem os tipos textuais a narração, a argumentação, a exposição, a descrição e a injunção (MARCUSCHI, 2008:154). Ingedore Koch diz que os gêneros são formados por seqüências diferenciadas denominadas tipos textuais e alerta para a importância de se ter em vista que a noção de gênero não se pode confundir com a noção de tipo. (p. 119).

Os gêneros textuais, por sua vez, são os textos que encontramos em nossa vida diária, em situações comunicativas e que, na visão de Marcuschi, apresentam padrões sociocomunicativos característicos, definidos por composição funcionais, objetivos enunciativos e estilos concretamente realizados na integração de forças históricas, sociais, institucionais e técnicas. Em princípio, diferente dos tipos textuais, que podem ser classificados em meia dúzia de categorias, os gêneros textuais formam uma lista aberta, sem uma definição exata de sua diversidade. Alguns exemplos de gênero textual são: bilhete, reportagem, resenha, carta, romance, conto, receita, bula e assim por diante.

O domínio discursivo, na visão bakhtiniana, constitui uma esfera da atividade humana, pois indica instâncias discursivas, tais como: discurso jurídico, discurso jornalístico, discurso religioso, etc. Constituem, o domínio discursivo, práticas discursivas nas quais podemos identificar um conjunto de gêneros textuais próprios de sua rotina comunicativa.

Vimos que a comunicação é uma questão importante que se apresenta como ponto decisivo de vivência enquanto sujeito social que somos. Logo, falar de gênero textual é pensar sobre a língua e sobre os diferentes padrões que esta se manifesta, dependendo da realidade que se apresenta, da cultura, da situação e do contexto social em utilizamos a linguagem.

Finalizando, a escolha do gênero, então, nunca se dá livremente, uma vez que optamos por usar, conforme os fatores citados, dentre os mais diversificados gêneros textuais e tipologias de textos que circulam na nossa sociedade, aquele que facilitará o entendimento à ação no contexto social ao qual estamos expostos. O trato dos gêneros diz respeito ao trato da língua em seu cotidiano nas mais diversas formas.



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