4 de maio de 2011

Problemas de Linguística Geral II - Benveniste

Cap. IV: a linguagem e a experiência humana

funções das categorias de expressão das linguas só aparecem claramente "no exercícico da linguagem e na produção do discurso" . Tais categorias são "categorias elementres, independentes de toda determinação cultural e nas quais vemos a experiência subjetiva dos sujeitos que se colocm e se situam na e pela linguagem (p.68).



Circunstâncias do Discurso e Subjetividade
Todo homem se coloca em sua individualidade enquanto EU por oposição a TU e ELE, o que reflete uma estrutura de oposições linguísticas inerentes ao discurso.

Desde que o pronome EU aparece num enunciado evocando o pronome TU, realiza um ato novo e único na circunstância do discurso.

A língua provê os falantes de um siste de referências pessoais de que cada um se apropria pelo ato da linguagem e que, em cada instância, é único (p. 69).



Os Pronomes Pessoais
 "Fora do discurso o pronome não é senão uma forma vazia, que não pode ser ligada nem a um objeto nem a um conceito. Ele recebe sua realidade e sua substância somente do discurso" (p. 69).

Não só os pronomes pessoais são dessa natureza. Os  dêiticos partilham a mesma situação.



Os Dêiticos

Dêiticos Espaciais: Os pronomes demonstrativos, indicando os objetos, organizam o espaço a partir de um ponto central, que é Ego, segundo variações: o objeto está perto ou longe defronte ou detrás, no alto ou em baixo, conhecido ou desconhecido, etc (p.70).

Dêiticos Temporais: A língua conceitualiza o tempo de modo totalmente diferente da reflexão. Alguns enganos:
  • Algumas línguas não-flexional, que  parecem não ter verbo, mas a categoria do verbo pode ser reconhecida nessas, e a expressão do tempo é compatível com todos os tipos de estrutura linguística.
  • O sistema temporal de uma língua são mais divergentes. Não reproduz a natureza do tempo "objetivo", pois são construções diversas só real.
Há um tempo específico da língua, mas antes de chegar lá, é necessário verificar as duas noções distintas do tempo: tempo físico e tempo crônico.

           Tempo Físico: É um contínuo uniforme, infinito, linear, variável (Para cada indivíduo tem uma medida), medido pelo ritmo da vida interior de cada indivíduo.

            Tempo Crônico: É o tempo dos acontecimentos. Podemos lançar os olhos sobre os acontecimentos e percorrê-los em duas direções:  

Presente ---> Passado
Passado ---> Presente

O tempo crônico, congelado na história, admite uma consideração bidirecional, enquanto que nossa vida vivida corre num único sentido.

No tempo crônico "tempo" é a continuidade em que se dispoem os acontecimentos. Os acontecimentos estão no tempo, mas não são o tempo (p. 71).

"Tudo está no tempo, exceto o próprio tempo. Ora, o tempo crônico, como o tempo físico, comporta uma dupla versão, objetiva e subjetiva" (p 72).

O tempo crônico é socializado, é tempo do calendário que se dá a partir de certas condições:


                                     Estativa                      Diretiva                   Mensurativa
 "cômputo zero"         "antes / depois"          "fenômenos cósmicos"
   nascimento Cristo              a.C / d.C             rotação terra / translação 


Esse pontos de referências dão a posição objetiva dos acontecimentos, e definem nossa situação em relação a esses acontecimentos. Nos informam 'onde' estamos na vastidão da história (p.73).

Se o computo dos intervalos não fossem fixo e imutáveis estaríamos perdidos em um tempo em um tempo errático, e todo nosso universal mental não teria como se orientar. "A organização do tempo crônico é, na realidade, intemporal" (p. 73).

O calendário é exterior ao tempo ele não o acompanha. O tempo crônico fixado num calendário é estranho ao tempo vivido e não pode coincidir com ele.

           Tempo Linguístico: Ligado ao exercício da fala e centrado no presente da instância da fala. Ele situa o acontecimento como contemporâneo da instância do discurso que o menciona.



O Presente Linguístico
É o fundamento das oposições temporais da língua. A línguagem dispõe de uma única expressão temporal - o presente -  que é por natureza implícito (p. 75).

A língua ordena o tempo a partir de um eixo que é a instância do discurso.

O passado e o futuro são, na enunciação,  pontos vistos para trás e para e para frente,a partir do presente  linguístico.

A instância específica de que resulta o presente é cada vez nova. Se narro o que "me aconteceu", o passado ao qual me refiro não é definido senão em relação ao presente de meu ato de fala.

O tempo do discurso comporta suas próprias divisões em sua própria ordem, independentes do tempo crônico (p.78).
"Aquele que diz "agora, hoje, neste momento" localiza um
acontecimento como simultâneo a seu discurso" (p.78).



Tempo Linguístico e Tempo Crônico
Assim como o pronome EU o HOJE, separado do discurso - fora do presente linguístico - não identifica nenhuma data; o signo HOJE  pode ter sido proferido em qualquer dia do calendário e ser aplicado a todo dia.

O único modo de significá-lo é explicitar o dia do calendário, assim como se dá nas cartas, por exemplo: Hoje, 03 de maio de 2011.



Operadores de Transferência do Tempo Linguístico ao Tempo Crônico
Índices do distanciamento subjetivo: deslocamento do tempo linguístico para trás ou para frente, a partir do presente linguístico:

ONTEM <---HOJE ---> AMANHà      

 ÚLTIMO <---ATUAL--->PRÓXIMO    

Exemplo: Há oito dias (há = antes)
               Em três dias (em = depois)


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